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sábado, 15 de outubro de 2011

Astrologia e saúde


Astro-diagnóstico é a ciência e arte de obter conhecimento científico sobre a doença e suas causas, como mostrado pelos planetas, bem como os meios de superá-la. Esta nova ciência do diagnóstico e cura é lenta permeando o mundo médico. É uma ciência que não deixará de lado a velha escola de medicina e diagnóstico, mas é uma adição à velha escola Este último, sentimos, com o tempo aceitar este novo método. Atualmente muitos médicos estão dispostos a cooperar com as escolas mais recentes de osteopatia, a natureza cura, a quiropraxia, etc, e esses homens de mente aberta está pronto para aceitar um método mais avançado de diagnóstico, quando foi demonstrado a eles como confiável.
Dependendo inteiramente de sintomas externos na localização da doença e confiando plenamente a ação da medicina têm custado milhões de vidas nos últimos tempos. Mas o homem agora está se tornando muito iluminado, muito liberal para ficar obstinadamente a velhos métodos que têm sido provado por muitos erros, pelo sacrifício de muitas vidas, a ser inadequada. Ciência médica, com seus instrumentos aperfeiçoados, o X-ray, iri-diagnóstico, exames de sangue, etc, tem feito grandes progressos em direção a melhores métodos de diagnóstico. Mas o tempo não está longe, portanto, quando será amplamente concedido que saber de antemão onde corrente humana é mais fraco, para entender pela ciência das estrelas, onde o praticante pode olhar para o problema, é de longe o melhor caminho. Os médicos, então, chegar muito rapidamente a causa de doença, e eles também sabem que métodos será melhor para efetuar uma cura. Quando eles podem usar a chave para a alma, o horóscopo, eles vão encontrar o tratamento ao qual o paciente irá responder. Eles também irão conhecer o caráter do paciente, se sua vontade é fraca, e se ele é negativo ou emocional. Eles, então, ser guiados em seus métodos de tratamento de acordo com as informações assim obtidas.
Doença pode ser classificada em duas cabeças, latente e ativa. "Sintomas" dar indicação de doença que está em processo de materialização. Tendências latentes à doença são mostrados pelo aflições planetárias no horóscopo de nascimento. Em alguns casos estas tendências pode permanecer latente durante toda a vida porque o nativo vive de tal maneira que nenhum esforço foi colocado sobre o corpo que daria os planetas a oportunidade de desenvolver sua fraqueza latente. Se existe um elo fraco em uma cadeia, mas nenhuma tensão é colocada sobre ele, a cadeia permanecerá todo. Assim, no caso de aflições planetária, eles também podem permanecer latentes. Mas deixe o abuso nativas seu corpo e de uma só vez esses pontos fracos irá aparecer. Isso nos dá a segunda classe de doença, o tipo de ativo. Quando os aspectos planetários têm sido agitados para a ação ea doença já apareceu, as posições planetárias progrediu dar o diagnosticador a chave para isso.
Quando os homens médicos, os cientistas, os cientistas ocultistas, e os astrólogos chegaram a um entendimento amigável, quando as descobertas de brotamento e os pensamentos mais ampla do homem não são mais em desacordo uns com os outros, então a humanidade saberá que o terror ea dor da sala de operações são coisas do passado. Então a saúde flutuante será universalmente apreciado, para a humanidade será ensinado como viver a fim de evitar o sofrimento. Os médicos vão ser tão ansiosa para manter as pessoas assim como elas agora estão a ajudá-los a recuperar da doença. O tempo não está longe, portanto, acreditamos que, quando o governo vai se sentir a necessidade de pagar os médicos um salário anual para ensinar as pessoas como evitar as armadilhas que levam à doença.

Texto: Augusta Foss Heindel

A Cabala Como Esquematização do Corpo Simbólico


Nosso corpo é uma ferramenta imaginal de contato com as emoções, com os elementos da natureza que o formam, com a alma e com a mente, repetindo a história de sua criação. Para uma explicação do corpo arquetípico foi utilizada questões da Cabala no plano expressivo da manifestação do arquétipo.
A palavra Cabala significa “Tradição”, ela é um sistema de compreensão do mundo místico judaico, onde se acreditava que seria possível entender Deus. Mas, com o passar dos anos a Cabala evolui como forma de compreensão da organização do esquema corporal da vida, sendo chamada também de a Árvore da Vida.
A árvore é um símbolo sagrado encontrado nas mais diversas culturas em diferentes épocas, ela faz parte do inconsciente coletivo. Segundo a psicóloga Angelita Scárdua, ela representa a estrutura do universo, seus galhos representam a conexão com as dimensões superiores e sagradas da existência humana, já as raízes simbolizam a ligação com os aspectos inferiores, primitivos e básicos e funcionais da vida. Seus frutos dão a ela atributos positivos do eterno.

Sempre damos significados a algo tentado explicar a nossa própria existência, e uma forma pela qual fazemos isso é na utilização da Metáfora Espacial, que é algo simples que nos auxilia a compreensão arquetípica dos símbolos. Ela se refere às dimensões físicas, “à cima”, “a baixo”, “esquerda” e “direita”, todos estes tem uma associação em diversas áreas inclusive com o corpo.

Quando falamos que estamos nos sentindo bem, felizes ou com outros sentimentos positivos dizemos que nos percebemos para “cima”, e quando estamos nos sentindo mal, tristes dizemos que nos sentimos para “baixo”. Podemos ver que sempre usamos os significados da metáfora espacial em nossas vidas.

Na religião, nos contos-de-fada, na mitologia podemos ver que associamos o sagrado, o divino, o espiritual, o bondoso, o superior e os deuses com o espaço geográfico do alto, e quando falamos de mal, desonesto, sujo, diabo ou seres maléficos e as perdas, ligamos a idéia do espaço geográfico do subterrâneo e inferior.
Com essa explicação torna-se mais fácil entender o sentido filosófico e existencial da Árvore da Vida no sentido cabalístico. Na parte superior da árvore cabalística localizada na cabeça vemos a Coroa e na parte inferior localizado nos pés e pernas vemos o Reino, o que simbolicamente demonstra a conexão do sagrado com o mundano. Há também na cabala a separação do lado esquerdo com a escuridão e impureza, e no lado direito temos a fonte da luz e da pureza.
Sempre associamos inconscientemente a parte esquerda do corpo com algo negativo, pois biologicamente e culturalmente não desenvolvemos este lado, evoluímos desenvolvendo o lado direito. O lado esquerdo mostra no esquema corporal o coração que é símbolo da emoção e também é o lado do inconsciente, pois é o lado menos trabalhado, e nele existem muitas emoções perdidas e não trabalhadas, por isso o associamos ao impuro e ao escuro, pois está mal resolvido e escondido. Também está associado à mãe.
Já o lado direito é naturalmente o lado mais desenvolvido na maioria das pessoas, é o lado do “trabalho” porque evoluímos utilizando essa parte do corpo, portanto é a zona do consciente, da luz, pois é o que conhecemos e temos a percepção mais avançada.

A luz é o símbolo típico do conhecimento em todas e quaisquer mitologias, contos-de-fada e religiões. Isso também é biológico, basta olhar para os tempos ancestrais, nesta época fazíamos tudo durante a parte clara do dia, porque era menos perigoso e nos permitia boa visão das coisas ao nosso redor, já à noite não tínhamos auxilio da luz para enxergar nada, existiam inimigos a espreita, feras e o desconhecido. Por isso damos a luz o símbolo do conhecimento e as trevas o significado de sombrio, perigo e maléfico. Também está associado ao pai.
A esquematização simbólica da Cabala se organizou de acordo com a experiência evolutiva humana. Segundo o livro Zohar (Esplendor) – um livro místico judaico – ensina que a alma humana se divide em três elementos básicos o Nefesh que se associa aos instintos desejos corporais e é a parte inferior e animal da alma. O Ru’ach é associado às virtudes morais e a habilidade de distinguir o bem e o mal, é a parte mediana do espírito. E o Neshamah é a parte que nos separa claramente das outras formas de vida, relaciona-se com o intelecto, permite que o individuo tenha consciência de Deus.
E com Raaya Meheimna – um livro posterior ao Zohar – ainda incluem mais dois níveis. O Chayyah que nos permite ter a percepção do divino e o Yehidah que possibilita ao homem a união máxima com Deus, é a parte mais superior da alma. Isso deixa mais clara a árvore cabalística na Metáfora Espacial.
Na esquematização imagética existem 10 centros cabalísticos em nosso corpo simbólico, chamados Sephirots, que significariam “esferas que emanam luz” que funcionam vinculada uma a outra. Segundo a psicoterapeuta junguiana Lucy Penna, são localizações imaginais de 10 arquétipos. Esses Sephirots são interligados gerando 22 caminhos, que seguem os princípios dos arcanos maiores do Tarô que representam imagens arquetípicas do inconsciente coletivo. Os Sephirots são os seguintes: Kether, Chokmah, Binah Chesed, Geburah, Tipheret, Hod, Netsach, Yesod e Malkhuth, e ainda uma décima primeira que não é um Sephirot, Daat. Logo abaixo seguem suas localizações e seus aspectos simbólicos.
Malkhuth (O Reino) – se localiza nos pés e em nossas pernas, é o contato com o solo, representa a conexão com a parte instintiva, animal é a realidade física. Engloba também a energia de sustentação do corpo e da vida, é o local da energia de telúrica, ou seja, a energia de ação, e simbolicamente é o contato com a mãe terra. Gaia na mitologia grega é a deusa-mãe terra, a criadora e geradora dos outros deuses, ela representa o interior humano, fonte de emoções mais primitivas.

Yesod (Fundamento / Forma) – se localiza acima do órgão genital e abaixo do abdômen, é o local que funciona como um reservatório das inteligências e da criatividade, nesse local os atributos são misturados, equilibrados e preparados para a revelação física. É o centro que reuni informações de oito Sephirots. Essa área do corpo é conhecida como o ventre, ele é o centro da consciência humana, lá equilibramos todas as energias vitais e sexuais. Representa o contato com a vida e com o feminino. Yesod é olhar para si mesmo sem usar mascara alguma, permitindo-se assim entrar em contato com o eu profundo e criativo verdadeiro. Sua imagem arquetípica é a lua.

Netsach (Vitória / Poder / Eternidade) – se localiza no lado esquerdo próximo entre a parte superior da coxa e a cintura, fica no local do Ílio (osso que forma a cintura), é o local aonde se abriga o centro responsável pelo o contato com o próximo, surge daí o desejo de superar os próprios limites. É ligado ao fato de saber lidar bem com as paixões e com a sedução.  Engloba ainda o principio fálico fertilizador, sendo assim representa o local do masculino.

Hod (Glória / Majestade) – se localiza no lado oposto a Netsach, é um canal de melhoria interna e de contato com o outro, representa a aceitação dos pensamentos e reconhecimento do eu em relação ao outro, ou seja, criação do espaço interno e individual. É o principio receptivo dos óvulos femininos. A energia criativa de Yesod surge de uma comunicação entre Netsach e Hod.

Tipheret (Beleza / Coração) – Situa-se no centro do tórax em cima do coração, é o centro da árvore da vida. Aqui temos a complementação de consciente e inconsciente, este local integra os opostos, trazendo assim a inteligência emocional, sendo o centro da sabedoria da vida e do entendimento sobre a luz do ego (consciência). É fonte de emoções superiores como os amores, principalmente o amor ágape. Para os gregos existem quatro tipos de amor, as quais são: Eros (o amor físico e sexual, a paixão), Storge (o amor familiar), Philos (o amor entre amigos, a amizade) e por ultimo o Ágape (o verdadeiro amor, o incondicional). O amor Ágape significa generoso, é o amor que se escolhe ter, um bom exemplo desse amor é Jesus cristo. É o centro cabalístico que tem como imagem arquetípica o sol.

Geburah (Justiça / Rigor) – Está localizado no ombro direito é o centro de controle dos desejos responsável por questionar os impulsos e as vontades. Centraliza a energia arquetípica a canalizando em questões objetivas no mundo real, com o ideal de superar as barreiras e transformar a própria vida.

Chesed (Misericórdia) – Está localizado no lado oposto de Geburah é o local que representa a vontade de compartilhar as boas emoções da vida, o impulso de se doar ao próximo e também é conhecida como compaixão. De ponto de vista simbólico é o local do intuitivo, do espiritual e da bondade.

Binah (Sabedoria / Entendimento) – Situa-se no lado esquerdo do cérebro, fica na área da razão do ser humano. Este ponto cabalístico influencia as definições racionais e a organização do pensamento, ou planejamento concreto de algo. Tem ligação com o símbolo arquetípico da água, que sempre esta associada ao feminino e ao futuro.

Chokmah (Razão / Inteligência) – Está associado ao lado direito do cérebro. É a região da intuição, das manifestações artística, da criatividade e das grandes idéias, tem como imagem arquetípica o elemento fogo, que se associa ao masculino e o passado.

Kether (Coroa) – É a copa da árvore, situa-se na parte superior da cabeça. É a unificação de todas as Sephirots, representa a Luz Superior, gera todo o potencial criativo. No hinduísmo é visto como o Brahma, o principio da energia vital. Nesse ponto concentram-se as experiências da vida, dando passagem ao reino espiritual. A nível simbólico podemos dizer que é o caminho iniciativo para a conexão com o Inconsciente coletivo.
Existe ainda um possível 11º Sephirot conhecido como Daath (Conhecimento), ela não é como os outros centro, pois não emana uma energia própria. Representa o abismo, o caos, porque é o ponto de unificação entre o corpo e o espírito, também é o contato com Deus. Se localiza entre o pescoço e o tórax, e simboliza a potencialidade masculina e conhecimento profundo de si – mesmo em relação aos sentimentos profundos.
A cabala nós ainda encontramos a divisão de três em três centros. Atziluth (Kether, Chokmah e Binah), Beriah (Chesed, Geburah e Tipheret), Yetzirah (Netsach, Hod e Yesod) o que denuncia a dinâmica arquetípica do corpo, possibilitando outras conexões energéticas entre seus centros.
O Atziluth é o “Mundo das Emanações” que é o conjunto responsável pelas irradiações das idéias. O Beriah é o “Mundo das Criações” representando o contato das emoções e sentimentos com o potencial criativo. O Yetzirah é o “Mundo das Formações”, sendo aquilo que nos permite trazer para o mundo físico algo que é interno. E ainda há o Asivah que é um único centro o Malkhuth (Reino), o “Mundo das Ações”, que nos impulsiona oferecendo energia para as atitudes.
Em suas separações verticais a cabala ainda faz uma ligação entre os arquétipos de Anima e Animus e sua integração (o Sizígia). O Sizígia é o arquétipo da alteridade, ou seja, é o arquétipo que trabalha na unificação e equilíbrio das diferenças do “eu-pessoal” do individuo, ele está configurado na coluna central da árvore cabalística. Anima é o arquétipo que personifica o feminino, esta relacionado à coluna esquerda sendo o centro da emoção e ao sagrado. Já Animus está relacionado à personificação do masculino, e representa a organização a ordem e o racional.
Com isso podemos concluir a importância dos estudos da organização da Cabala, como apoio arquetípico e simbólico para entendermos o funcionamento somato-psíquico da personalidade e dos centros expressivos dos arquétipos em nossas vidas.
Entendendo as correntes energéticas arquetípicas podemos entender os simbolismos dos machucados, das quedas, dos hematomas, das dores musculares e dos problemas de pele. 
Pois, nossa mente simbólica organiza de forma inconsciente acontecimentos para que nós possamos abrir os olhos para problemas que passamos e que de certa forma nos causam sofrimento, embora a vida nos avise de muitas questões internas mal resolvidas, muitas vezes deixamos de lado não dando o devido valor as experiências vividas, abandonando assim o valor profundos dos acontecimentos externos ao nosso corpo e mente.   
Fonte: Abaara
Felipe Salles Xavier

O MITO, O SÍMBOLO E O RITO


Longe de serem narrativas lúdicas e infundadas, os mitos são narrativas emanadas do inconsciente coletivo das sociedades, que relatam acontecimentos da esfera transcendental ou dos primórdios de uma coletividade humana.
De modo geral, os mitos têm origem em visões transpessoais de grandes videntes ou em fatos históricos ocorridos em tempos primordiais, que são expurgados de seu conteúdo menos importante e acrescidos de imagens arquetípicas e universais.
Quase todo mito é uma estória fabulosa das origens de povos, nações e do próprio mundo.
A finalidade do mito não é jornalística ou informativa, e sim educativa. Visa criar valores fortes, senso de identidade ou transmitir verdades transcendentais.
Geralmente as estórias míticas são exageradas e fabulosas para compensar a perda de conteúdo produzida pela transmissão oral. Como a finalidade não é relatar, o inconsciente coletivo lança mão de imagens arquetípicas dotadas de um alto poder de impacto emocional, para manter a intensidade e a força da transmissão.
O mito nunca é uma construção individual. É um constructo coletivo elaborado por muitas gerações, envolvendo toda uma concepção das origens do macrocosmo ou do microcosmo, sendo construído camada por camada por uma atividade social, criando raízes na memória de uma coletividade humana.
Por mais que o mito esteja mesclado com religiosidade, seu objetivo não é de natureza religiosa, e sim criar valores, senso de identidade e coesão entre os membros de um grupo social ou de uma nação. Ele visa fazer com que os indivíduos comunguem a mesma cosmovisão, as mesmas emoções, os mesmos sentimentos e a mesma vontade, produzindo um elo de ligação e de identidade, sem o qual a comunidade se desfaz em função das pressões internas e externas. Não se sabe em que medida a comunidade cria o mito e em que medida é o mito que cria a comunidade.
O mito da fundação de Roma, por exemplo, em que uma loba amamenta os gêmeos Rômulo e Remo, tem origem no fato de dois bebês órfãos, amamentados e criados por uma prostituta chamada Lupa (Loba), que morava entre as sete colinas da futura cidade.
Sem a transformação desse fato corriqueiro em um mito mágico, Roma nunca teria sido o maior império do mundo antigo, visto que o mito ajudou os romanos acreditar que seu destino de conquistadores vitoriosos e protegidos pelos deuses estava determinado desde suas origens extraordinárias.
E quanto aos ritos? Eles são a interpretação cênica e dramatizada do mito. Por meio das palavras, dos gestos, da indumentária, dos cânticos, do ritmo e do cenário, os ritos visam fornecer ao mito uma força viva e atualizada, como se o fato gerador do mito estivesse se repetindo naquele instante.
Os ritos são a externalização e a recordação do mito em ações coordenadas e plenas de simbolismo. O rito tem o objetivo de eternizar o mito, trazendo-o do passado remoto para o presente ativo, renovando-o permanentemente.
Os ritos se baseiam no fato de que os eventos arquetípicos narrados pelo mito não estão localizados no passado. Estão vivos e se manifestando a cada momento. Dessa forma, o rito procura estabelecer uma conexão entre determinado evento arquetípico e sua representação cênica, que tem por objetivo captar a energia vital farta e vivificante emanada por aquele evento.
Os egípcios antigos tinham um rito de saudar o nascer do sol. Os sacerdotes vestiam trajes rituais ornamentados em ouro (o ouro era a “pele do sol”) e entoavam cânticos à luz quando o primeiro raio de sol iluminava a pirâmide dourada que ficava no topo de todos os obeliscos. Aquele evento era alusivo ao momento primordial da criação, quando o pássaro Benu (Fênix) renascia de suas próprias cinzas e pousava na Pedra Benben (obelisco), iniciando um novo ciclo de manifestação. Aquele rito visava ajudar o sol a nascer após sua longa jornada pelo oceano subterrâneo, onde tinha de enfrentar a serpente Apophis, o espírito do caos. Muitos egiptólogos superficiais supõem que os egípcios tinham medo de que o sol não nascesse a cada dia e, por isso, faziam esse rito para garantir o novo nascer do sol. Na verdade, eles faziam o rito para recordar o fato primordial da criação e absorver a grande energia que flui naquele momento mágico. Na consciência altamente simbólica, imaginativa, analógica e ritualizada dos egípcios, eles sabiam que o sol certamente nasceria, mas tinham receio de que o sol da razão superior não nascesse para eles, que perderiam a noção da harmonia divina do universo, o que levaria ao caos e à destruição de sua sociedade.
Os ritos são, portanto, instrumentos de auto-recordação ativa, tendo um poder de mobilização de energias superior ao simples estudo intelectual, ou à expressão verbalizada. Pode-se afirmar, com pequena margem de erro, que o rito é a encenação dramática de algum mito.
Quanto aos símbolos, a própria etimologia da palavra esclarece seu significado.
A palavra símbolo provém da junção de dois vocábulos gregos: o sufixo sin, que quer dizer junto, e o verbo bolein, que quer dizer lançar. Portanto o símbolo é a imagem visual que “lança junto”, em uma imagem reduzida, toda uma complexa cadeia de significados.
Diferentemente dos signos e sinais (como as placas indicativas que encontramos nas rodovias), os símbolos trazem sempre conteúdos arquetípicos capazes de suscitar conteúdos cognitivos e emocionais do inconsciente. Um cristão teria uma forte impressão emocional ao visualizar a imagem de uma cruz, que traria à sua mente todo o conteúdo e significado de sua fé. Um muçulmano teria impressão semelhante ao ver um crescente lunar.
Certamente um judeu teria uma reação de medo ou de aversão ao visualizar uma suástica nazista, que traria à sua mente todo o sofrimento de seu povo, nas mãos dos algozes em campos de concentração.
Hitler lançou mão da suástica justamente por ser o mais antigo e vigoroso símbolo dos ário-germânicos, associado ao martelo de Thor. Sendo um hábil manipulador do inconsciente coletivo, usava todos os meios míticos, simbólicos e ritualísticos, para magnetizar as massas e direcioná-las para seus propósitos.
Foi Karl Jung quem primeiro descobriu e desenvolveu um estudo sistemático e científico sobre os símbolos e seu efeito sobre o inconsciente humano.
Para Freud, o símbolo era uma redução de determinado conteúdo cognitivo e emocional a uma unidade básica e diminuta de significado.
Para Jung, ao contrário, o símbolo era uma magnificação do conhecimento, levado a uma síntese de ordem cognitiva superior, capaz de transmitir uma enorme cadeia de significados em uma pequena unidade de informação.
*Texto da sociedade Teosofica

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