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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Sexualidade da mulher: Os clichês sobre o orgasmo feminino derrubados pela ciência

Cada mulher tem um número diferente de terminações nervosas em cinco zonas erógenas - e é por isso que, segundo especialistas, dicas genéricas geralmente contidas em revistas femininas são inúteis.


  orgasmo feminino derrubados pela ciência
Sexualidade da mulher: Os clichês sobre o orgasmo feminino derrubados pela ciência


Costuma ser mais comum ler sobre o orgasmo das mulheres em revistas femininas do que receber informações dos cientistas, mas aos poucos os pesquisadores estão começando a estudá-lo mais - e suas conclusões geralmente contradizem as das publicações populares. 

Parte do problema, dizem os especialistas, é porque o corpo da mulher tem sido bem menos estudado que o masculino e também é - de longe - bem menos compreendido. Exemplo disso é o caso de Callista Wilson, uma estilista que mora em San Francisco, nos Estados Unidos. "Eu chamo de círculo de fogo. Parecia que tinha um círculo de fogo no meio das pernas e essa era uma sensação constante - era uma queimação, um comichão e, então, durante o sexo ou mesmo com um absorvente interno era como se uma faca de churrasco estivesse me cortando, era muito doloroso." Ela teve essa sensação pela primeira vez quando tentou usar um absorvente interno, aos 12 anos. E apenas aos 20 anos finalmente foi a uma médica. 'Deve ser coisa da sua cabeça' "Ela (a médica) pareceu muito cética que algo pudesse estar errado", lembra Callista. "E disse: 'você parece perfeitamente normal, por isso recomendo que procure um terapeuta para falar sobre o que está causando esta dor. Deve ser coisa da sua cabeça'."

E se passaram mais 10 anos até que Callista tivesse um diagnóstico. Os problemas sexuais nesse período atingiram cada aspecto da sua vida, conta ela, causando desde depressão até o fim do seu relacionamento amoroso. Finalmente, depois de ir a 20 médicos, ela chegou ao consultório de Andrew Goldstein, diretor do Center for Vulvovaginal Disorders (Centro de Transtornos Vulvovaginais, em inglês), em Washington. O médico disse que ela havia nascido com 30 vezes mais terminações nervosas na entrada da vagina - o que significava que quando o local era tocado ela sentia dores fortes, como se estivesse sofrendo queimaduras. A solução foi uma cirurgia que removeu parte da área ao redor da abertura vaginal, procedimento que retira as terminações nervosas hipersensíveis. Depois disso, Callista soube pela primeira vez o que era fazer sexo sem dor.

Callista Wilson consultou 20 médicos até conseguir resolver o problema físico que prejudicou sua vida sexual por anos (Foto: BBC)

A importância do nervo pudendo 


O problema da estilista, chamado de vestibulodinia ou vestibulite vulvar, não é comum. Mas uma coisa os pesquisadores entenderam recentemente: o sistema nervoso pélvico varia imensamente de uma mulher para outra. Quando a ginecologista Deborah Coady, de Nova York, começou a estudar o assunto, verificou que os nervos na região genital masculina eram totalmente mapeados - mas não existia informação sobre os das mulheres. A médica formou uma equipe com cirurgiões especializados e começou a trabalhar no assunto. Conseguiu resultados interessantes. "Aprendemos que provavelmente não existem duas pessoas parecidas quando se trata de ramificação do nervo pudendo", diz Coady. Esse nervo tem três ramos que atravessam a região pélvica de homens e mulheres. "A maneira como as ramificações (do nervo) passam pelo corpo leva a diferenças na sexualidade, ou seja, a sensibilidade de certas áreas vai variar de mulher para mulher". O nervo pudendo é o mais importante quando se fala em orgasmos. É ele que liga os órgãos genitais às mensagens cerebrais de toque, pressão e atividade sexual. Coady também descobriu que cada mulher tem um número diferente de terminações nervosas em cada uma das cinco zonas erógenas da área genital - clitóris, entrada da vagina, colo do útero, ânus e períneo. "Isso explica por que algumas mulheres são mais sensíveis na área do clitóris e outras na entrada da vagina", observa. Esta é uma das razões pelas quais as informações genéricas sobre sexo existentes nas revistas femininas geralmente são inúteis. "Cinquenta por cento das leitoras podem sentir o que a revista diz", destaca a médica. "Mas há um outro grupo que, por causa da sua anatomia e do fato de que os nervos variam em todos nós, talvez não respondam como os artigos das revistas dizem".

Medição da excitação feminina 
Um outro grande mito foi derrubado por Cindy Meston, do Laboratório de Orgasmo da Universidade do Texas em Austin. Quando pensamos em laboratório, a primeira imagem que vem à cabeça são várias superfícies brancas, luzes fortes e microscópios. Mas o dela é bem diferente. As pessoas que participam dos estudos de Meston sentam num sofá reclinável de couro vermelho, diante de uma TV, e assistem a vídeos pornográficos. Da sala ao lado, a especialista monitora o batimento cardíaco e o fluxo de sangue nos seus genitais por meio de uma fotopletismografia vaginal, um exame não invasivo que mede e registra as modificações de volume de uma parte do corpo, órgão ou membro decorrentes de fenômenos circulatórios. Nele, um dispositivo com cinco centímetros de comprimento e no formato de um absorvente interno é inserido na vagina da paciente. Quando acionado, ele emite uma luz. Ao medirem a luz que é refletida de volta, os cientistas são capazes de dizer quanto sangue está circulando no tecido vaginal - e, consequentemente, o nível de excitação da mulher. Meston explica a paciente como é a fotopletismografia vaginal (Foto: BBC)

Na fotopletismografia vaginal, é usado dispositivo no formato de um absorvente interno (Foto: BBC)


Os resultados dos estudos de Meston derrubam vários clichês.

Meston explica a paciente como é a fotopletismografia vaginal (Foto: BBC)


Mulheres excitadas antes do sexo 

"Durante anos nos disseram: 'tome um banho de banheira, se acalme, escute música relaxante, faça exercícios de respiração, relaxe antes do sexo", diz a médica. "Mas minha pesquisa mostra o oposto: na verdade o que se deseja são mulheres animadas." "Então você pode dar uma volta no quarteirão correndo do seu parceiro, ou ver um filme de terror com ele, se divertir numa montanha-russa ou assistir a uma boa comédia. Se você estiver rindo, vai haver uma compreensível resposta de ativação simpática." Meston se refere ao sistema nervoso simpático, responsável pelas contrações musculares inconscientes, que nos deixa alertas, preparados para voar ou lutar. Ela descobriu que se esse sistema for ativado antes do sexo, ajudará as mulheres a reagirem mais intensa e rapidamente. Meston descobriu que a ativação do sistema nervoso simpático antes do sexo ajuda as mulheres a reagirem mais intensa e rapidamente aos estímulos (Foto: BBC)

O que acontece com os homens é quase o oposto. Por isso, durante anos considerou-se que as mulheres funcionavam da mesma forma que eles, mas o trabalho de Meston mostrou que isso era um erro.

Falta de conhecimento sobre a sexualidade feminina 

Meston descobriu que a ativação do sistema nervoso simpático antes do sexo ajuda as mulheres a reagirem mais intensa e rapidamente aos estímulos (Foto: BBC)


Andrew Goldstein também percebeu desde seus tempos de estudante que o corpo e a sexualidade femininas eram insuficientemente compreendidos. "Completei a residência em obstetrícia e ginecologia com uma carga horária de 20 mil horas", lembra. "Assisti a uma palestra de 45 minutos sobre a função sexual feminina. Posso dizer que tudo o que foi dito durante aqueles 45 minutos estava completamente errado." O médico continua: "Qualquer problema sexual feminino recebe menos atenção do que qualquer disfunção sexual nos homens. Vejo claramente que é uma questão de diferentes padrões de avaliação". "Infelizmente é óbvio que se os homens têm disfunção sexual, problemas de ereção, você também consegue vê-los, (ao passo que) mulheres são estigmatizadas se têm alguma disfunção". Dizem que tudo está na cabeça delas. Meston diz que é difícil conseguir verba para pesquisar o prazer sexual delas - o orgasmo feminino não é visto como um "problema social suficientemente importante", explica. Ela também percebe uma desaprovação puritana das instituições médicas nesta área de estudo.

Pesquisadores enfrentam preconceitos 

"Existem muitos críticos conservadores que não querem que verbas federais sejam destinadas a pesquisas sexuais. Como pesquisador você precisa então ser um pouco criativo", afirma. "Já me disseram claramente para tirar o 'sexo' do meu projeto. Eu ouvi: 'Você pode falar sobre bem-estar ou satisfação conjugal, mas falar sobre excitação sexual ou orgasmo é o fim da linha e reduzirá suas chances de conseguir patrocínio'." Certa vez, ela foi convidada a dar uma palestra para um grupo de acadêmicos aposentados, mas foi "desconvidada" quando informou o assunto: sexualidade das mulheres. "Houve imensa resistência e rejeição porque estávamos falando sobre o prazer sexual feminino", disse. "Fiquei horrorizada e ofendida. Na verdade, fiquei deprimida. Eu achava que pelo menos já tínhamos passado desse ponto." E como Callista Wilson se sente ao saber da dificuldade das pesquisas que conseguiram acabar com a dor que a incomodou por tantos anos? "A gente nasce de uma vagina, por que não sabemos mais sobre elas?", pergunta. "Por que não nos preocupamos mais com isso? Por que não se investe mais no assunto? Isso ajudaria homens e mulheres a terem mais pesquisas, financiamento e mais conversas sobre o assunto. Isso só beneficiaria todo mundo", conclui. Esta reportagem faz parte da série especial 100 Mulheres, da BBC.

O que é o 100 mulheres? 

O BBC 100 Mulheres (100 Women) indica 100 mulheres influentes e inspiradoras por todo o mundo anualmente. Nós criamos documentários, reportagens especiais e entrevistas sobre suas vidas, abrindo mais espaço para histórias com mulheres como personagens centrais. Além disso, publicamos uma série de reportagens sobre os problemas enfrentados pelas mulheres em diferentes partes do mundo. Por isso, queremos que você se envolva com seus comentários, opiniões e ideias. Você pode interagir e encontrar o conteúdo do 100 Mulheres em plataformas como Facebook, Instagram, Pinterest, Snapchat e YouTube, usando a hashtag #100women. Por Phoebe Keane, BBC 

Problemas sexuais: A moda – e os riscos – dos suplementos de testosterona para recuperar o desejo sexual

 recuperar o desejo sexual
Casal se beija em plataforma de observação em Moscou, na Rússia; Aplicação de testosterona, em injeções ou gel, tem sido receitada para mulheres que sofrem com o declínio do apetite sexual (Foto: Reuters/Maxim Shemetov)

Uso da substância vem crescendo nos EUA e Europa. Médicos recomendam tratamento com ressalvas e alertam sobre os perigos para o fígado e coração.


"Cansado de se sentir cansado?" A frase em inglês pode ser lida em cartazes espalhados nos ônibus e trens do metrô do Reino Unido. E entre as várias respostas para acabar com o cansaço constante de homens e mulheres que surgiram nos últimos anos, uma delas virou moda: injeções de testosterona, o hormônio masculino. A moda é tamanha que um médico, Nick Panay, da Real Associação de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido, defendeu que a substância seja administrada gratuitamente, em mulheres, pela rede de saúde pública. De acordo com Panay, se for aplicada em pequenas doses, a testosterona não só ajuda a reativar a energia do corpo, como aumenta o apetite sexual das mulheres. "Uma em cada três mulheres no país sofre com a falta de desejo sexual e isso pode ser aliviado com um suplemento de testosterona", argumentou o médico, durante uma conferência científica em Harrogate, no norte do país.

'Não é Viagra' 

 Mas o médico fez questão de esclarecer: "Não é uma espécie de Viagra feminino. É apenas algo que pode ajudar", disse. Segundo o especialista, a solução hormonal pode ser injetada ou aplicada como um gel. A moda dos suplementos de testosterona surgiu acompanhada de advertências. Para os especialistas, estes devem ser usados somente sob supervisão médica. O uso inadequado das substâncias "pode causar infarto, problemas cerebrais, danos no fígado e no sistema endócrino". Mas a testosterona já tem adeptos famosos: o cantor britânico Robbie Williams admitiu, há dois anos, que tomava injeções de testosterona para aumentar o apetite sexual e aguentar o ritmo das turnês. "Um médico me disse que meu nível de testosterona era igual ao de um homem de 100 anos, então comecei a tomar injeções que me ajudaram não só a melhorar meu estado físico, como a minha atividade sexual", disse o cantor à revista Esquire. Mas como este hormônio ajuda o corpo e por que se tornou uma nova tendência no combate ao cansaço?

O hormônio da moda 
A testosterona é o hormônio masculino responsável pelo desejo e pelas funções sexuais do homem. Mas é possível sintetizar a substância. Várias empresas desenvolveram suplementos de testosterona, retirando-a de plantas (que também a produzem) para vendê-las na forma de comprimidos, injeções ou gel. De acordo com a revista Pulse, o uso dos suplementos dobrou nos últimos cinco anos em alguns países da Europa e nos Estados Unidos - tanto por homens quanto por mulheres - como uma saída contra o cansaço e a falta de desejo sexual. No ano passado, os médicos da rede pública britânica recomendaram 370 mil receitas destes produtos. "Nas mulheres, por exemplo, o hormônio combate o distúrbio conhecido como transtorno do desejo hipoativo, que afeta 15% das mulheres na menopausa", explicou Panay. "Vi mulheres que passaram a correr maratonas", acrescentou. Além disso, a falta de testosterona causa o que tem sido chamado de menopausa masculina. "Pessoalmente, o hormônio fez com que eu me sentisse vivo: caminho mais, corro mais. Mas sobretudo, ele ajuda na recuperação da confiança em si mesmo", disse ao jornal The Telegraph Dan Hegarty, um médico que toma o suplemento há vários anos. "Comecei a usar o hormônio quando fui ao médico, porque não conseguia nem ler o jornal sem cair no sono", explicou Hegarty.

Riscos 
No entanto, como toda moda que envolve campo da saúde, é preciso tomar vários cuidados e os médicos se mostram céticos na hora de recomendar seu uso para alguns pacientes. A principal advertência é de que os homens só devem tomar o suplemento se for diagnosticada a baixa produção de hormônio e se o seu consumo for controlado por um médico. "O cansaço constante é sintoma de várias doenças. Um homem pode ter níveis baixos de testosterona, mas pode sentir-se normal. Ou ter um nível normal do hormônio, mas não conseguir sair da cama", disse ao The Telegraph o endocrinologista Mark Vanderpump. Por isso, a agência que controla e regulamenta os alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, a FDA (na sigla em inglês), lançou um alerta sobre os riscos de infarto ou de problemas de fertilidade causados pelo consumo excessivo destes suplementos. "O abuso da testosterona, geralmente em uma dose maior do que a receitada pelos médicos, pode afetar seriamente a saúde da pessoa e causar infarto, problemas no cérebro, no fígado e no sistema endócrino", disse o comunicado da FDA. Entre as mulheres, além do diagnóstico da deficiência hormonal, é importante saber que as doses devem ser muito menores do que as injetadas nos homens. "Não podemos esquecer que as mulheres produzem os dois hormônios (testosterona e estrógeno) e precisam apenas da aplicação de um adesivo para ajudá-las a superar a queda do desejo sexual, por exemplo", disse à BBC a médica Channa Jayasena, do respeitado Imperial College de Londres.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O oráculo dos búzios e os 16 caminhos

 16 caminhos
O oráculo dos búzios e os 16 caminhos

Os búzios e os orixás

 
A grande sacada do oráculo de buzios é fazer um Ifá mais simples ao invés de aprender 256 odù você aprende 16, ao invés de centenas de histórias você se concentraria em aprender 72. Se diz que o eerindinlogun seria nesse formato menos detalhado, que daria uma informação incompleta em relação à Ifá. Existe até um texto atribuído ao no Odù ògúndá-ìrẹtẹ̀ falando sobre isso. Mas o mesmo texto diz que a informação é conhecida e não seria apenas dita, possivelmente em função da quantidade menor de Odùs.

Mas, no owó eyo merindinlogun, temos que lembrar que temos muito mais recursos para nos ajudar na interpretação, além dos 16 Odù Méjì. O oráculo nos fala também através da posição que os búzios caem no ọpọ́n, em alguns grafismos que podem fazer e usando o recurso da subdivisão das caídas nos chamados barracões. Assim a ferramenta de fato oferece muito mais opções do que o opele e os ikin.

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